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    <title>Em Discurso Directo II</title>
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    <description>A Literatura Portuguesa em &#225;udio: Modernismo (Fernando Pessoa)</description>
    <language>en-us</language>
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    <pubDate>Thu, 14 May 2009 23:45:05 GMT</pubDate>
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    <itunes:author>adelina moura</itunes:author>
    <itunes:summary>&#201;pocas e Autores da Literatura Portuguesa em &#225;udio.
Fernado Pessoa e o Modernismo - Epis&#243;dio 1 a...
Ces&#225;rio Verde
Antero de Quental
Felizmente H&#225; Luar
Apari&#231;&#227;o
Memorial do Convento</itunes:summary>
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      <title>Epis&#243;dio 81 - An&#225;lise do Acto I (pergunta/resposta)</title>
      <description>&lt;img src="http://discursodirecto.podOmatic.com/mymedia/thumb/13843/0x0_632502.jpg" alt="itunes pic" /&gt;&lt;br /&gt;Pintura de Magritte</description>
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      <pubDate>Fri, 16 Jun 2006 16:50:06 GMT</pubDate>
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    <item>
      <title>Epis&#243;dio 80 - Introdu&#231;&#227;o ao estudo de Felizmente H&#225; Luar de Lu&#237;s de Sttau Monteiro</title>
      <description>&lt;img src="http://discursodirecto.podOmatic.com/mymedia/thumb/13843/0x0_746921.jpg" alt="itunes pic" /&gt;&lt;br /&gt; </description>
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      <pubDate>Fri, 16 Jun 2006 16:12:19 GMT</pubDate>
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    <item>
      <title>Question&#225;rio -  Atitudes dos alunos sobre os podcasts Em Discurso Directo I e II</title>
      <description>Se costuma ouvir os nossos podcasts, por favor, reserve alguns minutinhos do seu tempo e preencha este question&#225;rio. Com ele  pretendemos saber a sua opini&#227;o acerca da qualidade pedag&#243;gica do uso dos podcasts Em Discurso Directo I e II e das atitudes dos internautas perante os podcasts. Por favor, complete este question&#225;rio da forma mais sincera e rigorosa poss&#237;vel. V&#225; a este endere&#231;o e responda aos itens que lhe propomos.

http://www.advancedsurvey.com 

Abra esta p&#225;gina e digite o seguinte n&#186;39616 na caixa onde diz "Take A Survey" - Enter Servey Number".

Obrigada pela sua colabora&#231;&#227;o!</description>
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      <pubDate>Mon, 15 May 2006 22:16:19 GMT</pubDate>
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      <itunes:summary>Se costuma ouvir os nossos podcasts, por favor, reserve alguns minutinhos do seu tempo e preencha este question&#225;rio. Com ele  pretendemos saber a sua opini&#227;o acerca da qualidade pedag&#243;gica do uso dos podcasts Em Discurso Directo I e II e das atitudes dos internautas perante os podcasts. Por favor, complete este question&#225;rio da forma mais sincera e rigorosa poss&#237;vel. V&#225; a este endere&#231;o e responda aos itens que lhe propomos.

http://www.advancedsurvey.com 

Abra esta p&#225;gina e digite o seguinte n&#186;39616 na caixa onde diz "Take A Survey" - Enter Servey Number".

Obrigada pela sua colabora&#231;&#227;o!</itunes:summary>
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    <item>
      <title>Epis&#243;dio 79  - Este Inferno de amar - de Almeida Garrett</title>
      <description> Este inferno de amar - de Almeida Garrett

Este inferno de amar &#8211; como eu amo!
Quem mo p&#244;s aqui n&#8217;alma&#8230; quem foi?
Esta chama que alenta e consome,
Que &#233; vida &#8211; e que a vida destr&#243;i.
Como &#233; que se veio atear,
Quando &#8211; ai se h&#225;-de ela apagar?

Eu n&#227;o sei, n&#227;o me lembra: o passado,
A outra vida que dantes vivi
Era um sonho talvez&#8230; foi um sonho.
Em que a paz t&#227;o serena a dormi!
Oh! Que doce era aquele olhar&#8230;
Quem me veio, ai de mim! Despertar?

S&#243; me lembra que um dia formoso
Eu passei&#8230; Dava o Sol tanta luz!
E os meus olhos que vagos giravam,
Em seus olhos ardentes os pus.
Que fez ela? Eu que fiz? N&#227;o o sei;
Mas nessa hora a viver comecei&#8230;</description>
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      <pubDate>Mon, 15 May 2006 15:47:00 GMT</pubDate>
      <dcterms:modified>2008-03-21</dcterms:modified>
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      <itunes:summary> Este inferno de amar - de Almeida Garrett

Este inferno de amar &#8211; como eu amo!
Quem mo p&#244;s aqui n&#8217;alma&#8230; quem foi?
Esta chama que alenta e consome,
Que &#233; vida &#8211; e que a vida destr&#243;i.
Como &#233; que se veio atear,
Quando &#8211; ai se h&#225;-de ela apagar?

Eu n&#227;o sei, n&#227;o me lembra: o passado,
A outra vida que dantes vivi
Era um sonho talvez&#8230; foi um sonho.
Em que a paz t&#227;o serena a dormi!
Oh! Que doce era aquele olhar&#8230;
Quem me veio, ai de mim! Despertar?

S&#243; me lembra que um dia formoso
Eu passei&#8230; Dava o Sol tanta luz!
E os meus olhos que vagos giravam,
Em seus olhos ardentes os pus.
Que fez ela? Eu que fiz? N&#227;o o sei;
Mas nessa hora a viver comecei&#8230;</itunes:summary>
    </item>
    <item>
      <title>Epis&#243;dio 78 - An&#225;lise do poema &amp;quot;O Deus P&#227; n&#227;o morreu&amp;quot;</title>
      <description>Ricardo Reis
O Deus P&#227;
 
O Deus P&#227; n&#227;o morreu, 
Cada campo que mostra 
Aos sorrisos de Apolo 
Os peitos nus de Ceres&#8212; 
Cedo ou tarde vereis 
por l&#225; aparecer 
O deus P&#227;, o imortal. 

N&#227;o matou outros deuses 
O triste deus crist&#227;o. 
Cristo &#233; um deus a mais, 
Talvez um que faltava. 
P&#227; continua a ciar 
Os sons da sua flauta 
Aos ouvidos de Ceres 
Recumbente nos campos. 

Os deuses s&#227;o os mesmos, 
Sempre claros e calmos, 
Cheios de eternidade 
E desprezo por n&#243;s, 
Trazendo o dia e a noite 
E as colheitas douradas 
Sem ser para nos dar o dia e a noite e o trigo 
Mas por outro e divino 
Prop&#243;sito casual. </description>
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      <pubDate>Mon, 01 May 2006 23:31:31 GMT</pubDate>
      <dcterms:modified>2008-06-18</dcterms:modified>
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      <dc:creator>adelina moura</dc:creator>
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O Deus P&#227;
 
O Deus P&#227; n&#227;o morreu, 
Cada campo que mostra 
Aos sorrisos de Apolo 
Os peitos nus de Ceres&#8212; 
Cedo ou tarde vereis 
por l&#225; aparecer 
O deus P&#227;, o imortal. 

N&#227;o matou outros deuses 
O triste deus crist&#227;o. 
Cristo &#233; um deus a mais, 
Talvez um que faltava. 
P&#227; continua a ciar 
Os sons da sua flauta 
Aos ouvidos de Ceres 
Recumbente nos campos. 

Os deuses s&#227;o os mesmos, 
Sempre claros e calmos, 
Cheios de eternidade 
E desprezo por n&#243;s, 
Trazendo o dia e a noite 
E as colheitas douradas 
Sem ser para nos dar o dia e a noite e o trigo 
Mas por outro e divino 
Prop&#243;sito casual. </itunes:summary>
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    <item>
      <title>Epis&#243;dio 76 - An&#225;lise do poema &amp;quot; Vem sentar-te comigo, L&#237;dia, &#224; beira do rio&amp;quot; de Ricardo Reis</title>
      <description>Vem sentar-te comigo, L&#237;dia, &#224; beira do rio

Vem sentar-te comigo L&#237;dia, &#224; beira do rio.
Sossegadamente fitemos o seu curso e aprendamos
Que a vida passa, e n&#227;o estamos de m&#227;os enla&#231;adas.
(Enlacemos as m&#227;os.)

Depois pensemos, crian&#231;as adultas, que a vida
Passa e n&#227;o fica, nada deixa e nunca regressa,
Vai para um mar muito longe, para ao p&#233; do Fado,
Mais longe que os deuses.

Desenlacemos as m&#227;os, porque n&#227;o vale a pena cansarmo-nos.
Quer gozemos, quer nao gozemos, passamos como o rio.
Mais vale saber passar silenciosamente
E sem desassosegos grandes.

Sem amores, nem &#243;dios, nem paix&#245;es que levantam a voz,
Nem invejas que d&#227;o movimento demais aos olhos,
Nem cuidados, porque se os tivesse o rio sempre correria,
E sempre iria ter ao mar.

Amemo-nos tranquilamente, pensando que podiamos,
Se quise'ssemos, trocar beijos e abrac,os e car&#237;cias,
Mas que mais vale estarmos sentados ao p&#233; um do outro
Ouvindo correr o rio e vendo-o.

Colhamos flores, pega tu nelas e deixa-as
No colo, e que o seu perfume suavize o momento -
Este momento em que sossegadamente nao cremos em nada,
Pag&#227;os inocentes da decad&#234;ncia.

Ao menos, se for sombra antes, lembrar-te-as de mim depois
Sem que a minha lembran&#231;a te arda ou te fira ou te mova,
Porque nunca enla&#231;amos as m&#227;os, nem nos beijamos
Nem fomos mais do que crian&#231;as.

E se antes do que eu levares o o'bolo ao barqueiro sombrio,
Eu nada terei que sofrer ao lembrar-me de ti.
Ser-me-&#225;s suave &#224; mem&#243;ria lembrando-te assim - &#224; beira-rio,
Pag&#227; triste e com flores no rega&#231;o.
</description>
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      <pubDate>Mon, 01 May 2006 23:23:42 GMT</pubDate>
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Que a vida passa, e n&#227;o estamos de m&#227;os enla&#231;adas.
(Enlacemos as m&#227;os.)

Depois pensemos, crian&#231;as adultas, que a vida
Passa e n&#227;o fica, nada deixa e nunca regressa,
Vai para um mar muito longe, para ao p&#233; do Fado,
Mais longe que os deuses.

Desenlacemos as m&#227;os, porque n&#227;o vale a pena cansarmo-nos.
Quer gozemos, quer nao gozemos, passamos como o rio.
Mais vale saber passar silenciosamente
E sem desassosegos grandes.

Sem amores, nem &#243;dios, nem paix&#245;es que levantam a voz,
Nem invejas que d&#227;o movimento demais aos olhos,
Nem cuidados, porque se os tivesse o rio sempre correria,
E sempre iria ter ao mar.

Amemo-nos tranquilamente, pensando que podiamos,
Se quise'ssemos, trocar beijos e abrac,os e car&#237;cias,
Mas que mais vale estarmos sentados ao p&#233; um do outro
Ouvindo correr o rio e vendo-o.

Colhamos flores, pega tu nelas e deixa-as
No colo, e que o seu perfume suavize o momento -
Este momento em que sossegadamente nao cremos em nada,
Pag&#227;os inocentes da decad&#234;ncia.

Ao menos, se for sombra antes, lembrar-te-as de mim depois
Sem que a minha lembran&#231;a te arda ou te fira ou te mova,
Porque nunca enla&#231;amos as m&#227;os, nem nos beijamos
Nem fomos mais do que crian&#231;as.

E se antes do que eu levares o o'bolo ao barqueiro sombrio,
Eu nada terei que sofrer ao lembrar-me de ti.
Ser-me-&#225;s suave &#224; mem&#243;ria lembrando-te assim - &#224; beira-rio,
Pag&#227; triste e com flores no rega&#231;o.
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    </item>
    <item>
      <title>Epis&#243;dio 76 - An&#225;lise do poema &amp;quot;As rosas amo dos jardins de Ad&#243;nis&amp;quot; de Ricardo reis</title>
      <description> Ricardo Reis


As Rosas

As Rosas amo dos jardins de Ad&#244;nis, 
Essas volucres amo, L&#237;dia, rosas, 
Que em o dia em que nascem, 
Em esse dia morrem. 
A luz para elas &#233; eterna, porque 
Nascem nascido j&#225; o sol, e acabam 
Antes que Apolo deixe 
O seu curso vis&#237;vel. 
Assim fa&#231;amos nossa vida um dia, 
Inscientes, L&#237;dia, voluntariamente 
Que h&#225; noite antes e ap&#243;s 
O pouco que duramos. </description>
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      <pubDate>Mon, 01 May 2006 23:09:58 GMT</pubDate>
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      <itunes:summary> Ricardo Reis


As Rosas

As Rosas amo dos jardins de Ad&#244;nis, 
Essas volucres amo, L&#237;dia, rosas, 
Que em o dia em que nascem, 
Em esse dia morrem. 
A luz para elas &#233; eterna, porque 
Nascem nascido j&#225; o sol, e acabam 
Antes que Apolo deixe 
O seu curso vis&#237;vel. 
Assim fa&#231;amos nossa vida um dia, 
Inscientes, L&#237;dia, voluntariamente 
Que h&#225; noite antes e ap&#243;s 
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    <item>
      <title>Epis&#243;dio 75 - Ricardo Reis: o neopaganismo e o estoicismo e epicurismo</title>
      <description>&lt;img src="http://discursodirecto.podOmatic.com/mymedia/thumb/13843/0x0_932194.jpg" alt="itunes pic" /&gt;&lt;br /&gt;Pintura de Luca Giordano


Texto adaptade do manual Das Palavras aos Actos, 12&#186; Ano , pp.83/84 Edi&#231;&#245;es ASA

</description>
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      <pubDate>Mon, 01 May 2006 19:53:57 GMT</pubDate>
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Texto adaptade do manual Das Palavras aos Actos, 12&#186; Ano , pp.83/84 Edi&#231;&#245;es ASA

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      <title>Epis&#243;dio 74 - An&#225;lise do poema Anivers&#225;rio de &#193;lvaro de Campos</title>
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      <pubDate>Mon, 01 May 2006 19:41:19 GMT</pubDate>
      <dcterms:modified>2008-06-18</dcterms:modified>
      <dcterms:created>2006-05-01</dcterms:created>
      <link>http://discursodirecto.podOmatic.com</link>
      <dc:creator>adelina moura</dc:creator>
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      <title>Epis&#243;dio 73 - Poema Anivers&#225;rio, na voz de Jo&#227;o Grosso</title>
      <description> ANIVERS&#193;RIO - &#193;LVARO DE CAMPOS

No tempo em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu era feliz e ningu&#233;m estava morto.
Na casa antiga, at&#233; eu fazer anos era uma tradi&#231;&#227;o de h&#225; s&#233;culos,
E a alegria de todos, e a minha, estava certa com uma religi&#227;o qualquer.

No tempo em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu tinha a grande sa&#250;de de n&#227;o perceber coisa nenhuma,
De ser inteligente para entre a fam&#237;lia,
E de n&#227;o ter as esperan&#231;as que os outros tinham por mim.
Quando vim a ter esperan&#231;as, j&#225; n&#227;o sabia ter esperan&#231;as.
Quando vim a olhar para a vida, perdera o sentido da vida.

Sim, o que fui de suposto a mim-mesmo,
O que fui de cora&#231;&#227;o e parentesco.
O que fui de ser&#245;es de meia-prov&#237;ncia,
O que fui de amarem-me e eu ser menino,
O que fui --- ai, meu Deus!, o que s&#243; hoje sei que fui...
A que dist&#226;ncia!...
(Nem o acho...)
O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!

O que eu sou hoje &#233; como a umidade no corredor do fim da casa,
Pondo grelado nas paredes...
O que eu sou hoje (e a casa dos que me amaram treme atrav&#233;s das minhas l&#225;grimas),
O que eu sou hoje &#233; terem vendido a casa,
&#201; terem morrido todos,
&#201; estar eu sobrevivente a mim-mesmo como um f&#243;sforo frio...

No tempo em que festejavam o dia dos meus anos...
Que meu amor, como uma pessoa, esse tempo!
Desejo f&#237;sico da alma de se encontrar ali outra vez,
Por uma viagem metaf&#237;sica e carnal,
Com uma dualidade de eu para mim...
Comer o passado como p&#227;o de fome, sem tempo de manteiga nos dentes!

Vejo tudo outra vez com uma nitidez que me cega para o que h&#225; aqui...
A mesa posta com mais lugares, com melhores desenhos na loi&#231;a,
com mais copos,
O aparador com muitas coisas &#8212; doces, frutas o resto na sombra debaixo do al&#231;ado---,
As tias velhas, os primos diferentes, e tudo era por minha causa, No tempo em que festejavam o dia dos meus anos...

P&#225;ra, meu cora&#231;&#227;o!
N&#227;o penses! Deixa o pensar na cabe&#231;a!
&#211; meu Deus, meu Deus, meu Deus!
Hoje j&#225; n&#227;o fa&#231;o anos.
Duro.
Somam-se-me dias.
Serei velho quando o for.
Mais nada.
Raiva de n&#227;o ter trazido o passado roubado na algibeira!...

O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!...

15-10-1929


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      <pubDate>Mon, 01 May 2006 19:16:49 GMT</pubDate>
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Eu era feliz e ningu&#233;m estava morto.
Na casa antiga, at&#233; eu fazer anos era uma tradi&#231;&#227;o de h&#225; s&#233;culos,
E a alegria de todos, e a minha, estava certa com uma religi&#227;o qualquer.

No tempo em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu tinha a grande sa&#250;de de n&#227;o perceber coisa nenhuma,
De ser inteligente para entre a fam&#237;lia,
E de n&#227;o ter as esperan&#231;as que os outros tinham por mim.
Quando vim a ter esperan&#231;as, j&#225; n&#227;o sabia ter esperan&#231;as.
Quando vim a olhar para a vida, perdera o sentido da vida.

Sim, o que fui de suposto a mim-mesmo,
O que fui de cora&#231;&#227;o e parentesco.
O que fui de ser&#245;es de meia-prov&#237;ncia,
O que fui de amarem-me e eu ser menino,
O que fui --- ai, meu Deus!, o que s&#243; hoje sei que fui...
A que dist&#226;ncia!...
(Nem o acho...)
O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!

O que eu sou hoje &#233; como a umidade no corredor do fim da casa,
Pondo grelado nas paredes...
O que eu sou hoje (e a casa dos que me amaram treme atrav&#233;s das minhas l&#225;grimas),
O que eu sou hoje &#233; terem vendido a casa,
&#201; terem morrido todos,
&#201; estar eu sobrevivente a mim-mesmo como um f&#243;sforo frio...

No tempo em que festejavam o dia dos meus anos...
Que meu amor, como uma pessoa, esse tempo!
Desejo f&#237;sico da alma de se encontrar ali outra vez,
Por uma viagem metaf&#237;sica e carnal,
Com uma dualidade de eu para mim...
Comer o passado como p&#227;o de fome, sem tempo de manteiga nos dentes!

Vejo tudo outra vez com uma nitidez que me cega para o que h&#225; aqui...
A mesa posta com mais lugares, com melhores desenhos na loi&#231;a,
com mais copos,
O aparador com muitas coisas &#8212; doces, frutas o resto na sombra debaixo do al&#231;ado---,
As tias velhas, os primos diferentes, e tudo era por minha causa, No tempo em que festejavam o dia dos meus anos...

P&#225;ra, meu cora&#231;&#227;o!
N&#227;o penses! Deixa o pensar na cabe&#231;a!
&#211; meu Deus, meu Deus, meu Deus!
Hoje j&#225; n&#227;o fa&#231;o anos.
Duro.
Somam-se-me dias.
Serei velho quando o for.
Mais nada.
Raiva de n&#227;o ter trazido o passado roubado na algibeira!...

O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!...

15-10-1929


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